
Ehh, paulistas, mas vocês são sortudos mesmo. Perdem um lançamento, logo vem outro para compensarem! As coordenadas estão no convite, não percam!
Literatura de Horror
Em mais uma das corriqueiras investigações na biblioteca municipal da urbe que me acolheu, encontro um exemplar deveras escondido. Esquecido num canto opaco da sessão infanto-juvenil. Eis que me deparo com "Medo, Mistério e Morte", de Carlos Orsi Martinho. A capa sofrível, a editora obscura e o não (podem me amaldiçoar!) conhecimento do autor, criaram alguma resistência no momento do empréstimo. Lendo a introdução, do próprio escritor, me deparo com suas fontes de inspiração: E.T.A Hofmann, Poe, Stoker, Sheridan Le Fanu, H.G. Wells, Conan Doyle e Lovecraft. Com esta lista, não houve resistência que resistisse! Levei o surrado exemplar e, momentos depois, iniciei a leitura. Bem, Carlos Orsi, antes de tudo, é um dos autores mais conhecidos na Ficção Científica nacional. Seus textos são (pelo que pude constatar na web) reconhecidamente uns dos mais profícuos e originais da FC. Mas, eu não sou um fã declarado deste gênero, embora goste. E, o livro que citei passeia pelos campos do terror, meu gênero preferido! E foi por isso que acabei emprestando a obra. A diagramação é ruim, a estética toda é condenável, mas o conteúdo...Agora sei porque Orsi é um dos grandes nomes da Litfan nacional! Lendo as críticas, disponíveis na rede, sobre este livro, pareceu-me unânime entre os comentaristas que o único "defeito" da obra é a extrema influencia do escritor norte-americano H.P. Lovecraft. De como Orsi deixa-se "lovecraftiar" (acabei de criar esta expressão rsrs) em demasia na sua narrativa, embora os elementos desta estejam todos abrasileirados, o que é ponto para Orsi!
Ah, mas espera aí... você está achando que isso é muito pouco? Decidiu que não vai tirar a buzanfa do sofá só para conhecer este humilde escriba? Pois muito bem, criatura exigente, tenho mais para sugerir:
Segue o texto oficial da fantástica programação do evento, com direito à noitada para os vampirões e matinê para as crias!A Mansão Macabra 2009 é dedicada a Edgar Allan Poe, em comemoração ao bicentenário do poeta, com recitais, contação de histórias, apresentações teatrais, música gótica e performances macabras no jardim da Casa das Rosas.
A festa é dividida em dois momentos: a partir das 20h do dia 31 de outubro, um evento especial que atravessa a madrugada e se encerra às 6 horas da manhã. Já no dia 1o de novembro, as crianças podem participar de um evento assustador!
19h – Instalação
Edgar Alone Poet
Às 19 horas do dia 31 de outubro, estará oficialmente aberta a instalação multimídia Edgar Alone Poet, uma homenagem ao bicentenário do poeta, um dos precursores da literatura fantástica moderna. A instalação estará aberta à visitação do público de 31 de outubro a 29 de novembro.
20h – Poesia
Sarau da Casa
O Sarau da Casa comemora o Halloween com a participação dos poetas Luiz Roberto Guedes e Carla Caruso, e do público, que poderá recitar poemas próprios ou de outros autores em nosso sarau aberto. Após as leituras macabras, haverá a apresentação do Blu Jazz Trio (Henrique Messias, Marcelo D'Angelo e Vinícius Pereira). Inscrições para leitura de poemas: na recepção da Casa das Rosas, durante o próprio sarau.
22h – Teatro
O Gato Preto
O conto “O Gato Preto” narra, em primeira pessoa, a sucessão de acontecimentos que levaram um homem aparentemente normal a perpetuar os mais terríveis atos. O conto de Poe está lá. Mas ele não é a peça; é o pretexto, e é a partir dele que a Nossa Companhia Imaginária interroga, critica, força e homenageia o autor que, neste ano de 2009, completaria 200 anos, caso ainda estivesse vivo...
Texto: Edgar Allan Poe. Direção: Eduardo Parisi. Produção: Nossa Companhia Imaginária. Elenco: Andrea Tedesco, Juliana Lacerda, Rodrigo Arijon, Rodrigo Pessin e Luciano Carvalho.
Recomendação etária: 14 anos.
24h e 1h – Visita
Visita assombrada à Mansão Macabra
Durante a madrugada, a Casa das Rosas se transforma numa mansão assombrada, perturbando a paz de espíritos antigos, cujas aparições vagam pelas escadas e quartos e se revelam na visita monitorada, realizada por um estranho anfitrião, aos cômodos, instalações e ambientes mais inusitados da mansão. Com os atores Claudia Gianini, Simone Xavier, Paulo Cavalcante e Fernanda Padilha. (30 pessoas por visita).
2h30 – Poesia
Recital de poemas malditos
A poesia maldita estará presente por meio das leituras de Luiz Roberto Guedes, Luiz Alberto Machado Cabral, Donny Correia, Frederico Barbosa, Martha Argel e Greta Benitez, que interpretarão poemas de Edgar Allan Poe, Baudelaire, Lord Byron, Álvares de Azevedo, Augusto dos Anjos, além de textos próprios.
4h – Música
Banda Interlude
A banda Interlude presta tributo a uma das mais importantes, influentes e admiradas bandas inglesas de todos os tempos: The Cure. Já se apresentou nas mais célebres casas e festas de São Paulo, como Atari Club, Thorns Festival, Café Piu Piu, Morrison Rock Bar, Kazebre, Outs e em outras cidades e estados. Em lugares alternativos e undergrounds ou em palcos tradicionais, procura transmitir a essência e a energia das apresentações da banda original, com um repertório que passeia por toda a extensa carreira do The Cure, do início pós-punk, passando pelo dark, pop perfeito, hard até o psicodelismo.
PROGRAMAÇÃO ESPECIAL NO CAFÉ PANAROMA
Panaroma é uma palavra-valise, presente no livro Finnegans Wake, de James Joyce, que une as palavras “pan” (“tudo”, em grego) e “aroma”, ou seja, “todos os aromas”, e ainda faz um trocadilho com “panorama”. No livro de Joyce, a expressão é Panaroma of all flowers of speech, ou, na tradução de Augusto de Campos: “o panaroma de todas as flores da fala”. Assim se explica por que Panaroma foi o nome escolhido para o café da Casa das Rosas.
Durante a Noite das Bruxas, o café Panaroma ficará aberto até as 3 horas da manhã e servirá um cardápio especial, como massas negras com molhos vermelhos, drinques de sangue (ops!) e outras delícias. Enquanto você saboreia as novidades, serão apresentados filmes, performances teatrais e de dança.
21h – Dança
Performance no jardim
A Cia Micrantos fará uma performance no jardim da Casa das Rosas que atrairá a atenção de todas as pessoas... e de todos os espíritos.
21h – Cinema
Nosferatu; O homem que ri; O Gabinete do Dr. Caligari
Os filmes expressionistas alemães refletem o sentimento do horror da década de 1920, por meio do cenário perturbador, dos contrastes violentos de claro e escuro, e da distorção da realidade sensorial e lógica, trazendo a atmosfera do pesadelo ao espectador.
0h – Teatro
O engenho mal-assombrado
Tudo começa à meia-noite. No meio do silêncio do velho engenho, os ruídos começam a ser ouvidos. Máquinas enferrujadas e carcomidas pelos anos voltam a rodar e, de todos os lados, surgem vultos que, ao comando do feitor, colocam-se em seus postos de serviço, iniciando o trabalho...
Direção: Roberto Paulino Júnior.
0h30 – Teatro
Nosferatu
Drácula é um conde-vampiro, proprietário de uma velha mansão. É fascinado por uma jovem e virgem donzela que seria a reencarnação de sua antiga amada. Logo após perseguir e seduzir a jovem, que cai em seus braços, transforma-a em uma vampira. Mas terá de enfrentar o médico e ocultista Dr. Van Helsing, um especialista em vampiros que o persegue implacavelmente e que pode acabar com seu reinado de terror.
Direção: Roberto Paulino Júnior.
1h30 – Contação de histórias
Sepultamento prematuro
Alguns temas são terríveis demais para que possam ser usados pela ficção... Ser enterrado vivo é sem dúvida o pior deles! Poe narra enganos ocorridos nos idos de 1800: quatro diferentes episódios de pessoas que morreram e voltaram. Finalmente, acompanhamos de perto um homem que sofria de catalepsia e seus pesadelos: todas as precauções, a reforma do jazigo familiar, os juramentos dos amigos... e seu destino!
Cia. Em Cena Ser
Histórias originais: Edgar Allan Poe.
Adaptação e interpretação: Cristiana Gimenes.
Direção: Andreza Domingues.
2h – Contação de histórias
O poço e o pêndulo
Num de seus contos mais famosos, Poe nos conta, em primeira pessoa, os dias de um prisioneiro da Inquisição, em Toledo. Logo após ouvir sua sentença de morte, ele desmaia e narra tudo o que sentiu depois: a dúvida sobre o que aconteceu com ele, a percepção da situação, o cárcere, os demônios pintados nas paredes, os ratos... e as crueldades que seus carrascos lhe reservaram: o poço e o pêndulo.
Cia. Em Cena Ser
Histórias originais: Edgar Allan Poe.
Adaptação e interpretação: Cristiana Gimenes.
Direção: Andreza Domingues.
MATINÊ MACABRA
RÉ LOU IM NA CASA DAS ROSAS
Saci-pererê, curupira, fantasmas, abóboras e mulas-sem-cabeça farão uma visita inesquecível à Casa das Rosas. O Dia do Saci foi criado em caráter nacional, em 2005, como uma forma de valorizar o folclore brasileiro, já o Halloween é uma data tradicional do calendário celta, levada aos Estados Unidos no século XIX. Na Matinê Macabra da Casa das Rosas, todas as culturas convivem e as crianças só têm a ganhar!
14h – Contação de histórias
História do Curupira
O Grupo Trii – Estêvão Marques, Fê Sztok e Marina Pittier – apresenta músicas e histórias de dar calafrios. Quem aparece neste encontro é o Curupira, protetor das matas, com cabelo de fogo e pés virados para trás. Quem o conhece sabe do que ele é capaz.
15h – Atividades educativas
Brincadeiras de arrepiar
As crianças aprenderão sobre a cultura do Halloween, Dia do Saci, Dia da Bruxa e histórias vindas de diversos países por meio de brincadeiras, como Pega-pega vampiro, Corrida do Saci, Balança caixão, Brincadeira da caveira, atividades plásticas, entre outras. Com os educadores Laiz Hasegaza, Laizane de Oliveira, Mariana Gondo e Alexandre Lavorini.
16h – Contação de histórias
O macaco e a banana
Uma música-história tenebrosamente engraçada, além das músicas "A noite no castelo" (Helio Hiskind) e "Taquaras" (Palavra Cantada) que deixarão todos arrepiados! As músicas de suspense "Murucututu" (Grupo Roda Pião) e “Monstro” (Rumo) vêm para dar mais um arrepiozimmm na espinha. Com Grupo Trii – Estêvão Marques, Fê Sztok e Marina Pittier.
16h – Exibição de filme
Noiva Cadáver
Passado num vilarejo europeu do século XIX, o filme conta a história de Victor (Johnny Depp), um jovem que é arrastado para o outro mundo ao se casar sem querer com a misteriosa Noiva Cadáver (Helena Bonham-Carter), enquanto sua verdadeira noiva, Victoria (Emily Watson), o aguarda desolada na Terra dos Vivos. Embora a vida na Terra dos Mortos se mostre mais animada do que o meio vitoriano em que cresceu, Victor descobre que nada há neste mundo, ou no outro, que possa afastá-lo de sua amada. É uma história de otimismo, romance e de uma alegre vida após a morte, contada no clássico estilo de Tim Burton.
17h – Visita
Visita assombrada à Mansão Macabra
O passeio começa pelo jardim, com ouvidos atentos a sons indefinidos, olhos ligados em movimentos estranhos. O grupo entra pela sala de jantar e procura a passagem secreta que esconde um grande mistério. No porão, o grupo que ainda restou terá uma surpresa... no escuro. Com Fabio Lisboa.
18h – Música
Grupo Musicantes
Pensado e criado por Carlos Kater, o Musicantes é um grupo cujos participantes atuam como músicos, atores, contadores de histórias, dançarinos. A proposta dessa apresentação é estimular o resgate de jogos expressivos e brincadeiras musicais da cultura brasileira, relacionando-os ao Dia do Saci.
SERVIÇO
Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
Avenida Paulista, 37
Tel.: (11) 3285.6986
www.casadasrosas-sp.org.br
Horário de funcionamento
De terça-feira a sexta-feira, 10h às 22h
Sábados e domingos, 10h às 18h (passível de alteração, de acordo com a programação).
Convênio com o estacionamento Patropi: Alameda Santos, 74
Dúvidas, críticas e sugestões: contato.cr@poiesis.org.br
Data da temporada: De 31/10/09 a 01/11/09
Dias e horários:





É um pouco difícil escrever sobre Crash, de J.G. Ballard, portanto vou usar um recurso diferente ao começar esta resenha. Vou pedir para que você imagine um acidente automobilístico. Não a hora da batida, mas o depois, quando um bando de pessoas fica em volta das ferragens, observando os destroços, os feridos e os corpos estirados. Talvez você mesmo já tenha feito parte de um desses curiosos. Ou mesmo que não tenha chegado a tanto, deve ter ao menos diminuído a velocidade do seu carro ao passar próximo de um acidente e dado uma olhadinha.
O que leva as pessoas a isso? Qual o motivo desta curiosidade mórbida em ver um carro transformado em aço retorcido e pessoas mutiladas? Talvez a reação do observador seja um misto de excitação — por estar diante de algo chocante — com nojo e espanto: os três mesmos adjetivos empregados como reação à leitura de Crash.
Clássico da literatura underground, mas que só fui conhecer depois da adaptação ao cinema dirigida por David Cronenberg em 1996, o romance já é bizarro em suas primeiras páginas, ao descrever a estranha relação entre o narrador (que possui o mesmo nome do autor da obra, James Ballard) e sua esposa Catherine — um casal de classe social alta, sem filhos, que já experimentou todos os jogos sexuais para se excitarem e agora ficam contando um ao outro as relações extra-conjugais, a fim de ficarem em ponto de bala.
Depois de mais um encontro com a atual amante, o protagonista está dirigindo seu carro e sofre um grave acidente na auto-estrada, colidindo frontalmente com outro automóvel. O choque mata o motorista do outro carro e deixa James durante semanas em um hospital. Lá, ele passará por uma estranha transformação, pois aparentemente James já tinha problemas psicológicos antes do acidente, e aquele convívio direto com a dor em seus ferimentos, com o cheiro do ambiente hospitalar, com os curativos, enfermeiras e com as mortes ao seu redor parece ser uma complementação da transformação que se iniciou já durante a batida, quando peças do carro penetraram seu corpo.
Durante essa internação James percebe a presença constante de um sujeito misterioso, coberto de cicatrizes por todo o corpo, que já havia tirado fotos no local do seu acidente e parece entrar no hospital vestido de médico apenas para poder fotografar as pessoas acidentadas. Antes de receber alta, o protagonista descobre que o relato de seu acidente chega a excitar a esposa quando esta o visita, e a sua próxima amante será justamente a viúva do sujeito morto na colisão, que sobreviveu à batida. É neste crescendo de sexo em meio a batidas de carro que James finalmente conhecerá a figura de Vaugahn, o cara misterioso das fotografias: um ex-cientista que descobriu os prazeres dos acidentes automobilísticos, e que possui um séquito de seguidores que se excitam com colisões, com vítimas sendo retiradas das ferragens de um acidente e até com as próteses usadas por acidentados.
É doentio? Sem dúvidas, mas hoje em dia é natural ver gente que se excita com alta velocidade, com carrões turbinados e com sexo dentro de automóveis. Parece que J.G. Ballard simplesmente imaginou um futuro para essa relação entre homens e máquinas, e apimentou esse namoro, acrescentando sadomasoquismo na mistura. O resultado é esse romance que pode parecer muito indigesto para o leitor despreparado, que se assustará com as descrições detalhadas de órgãos genitais mutilados por partes de automóveis, e o fascínio que essas coisas exercem sobre as personagens.
Cronenberg fez um ótimo trabalho de adaptação ao transportar a obra ao cinema, mas tomou certas liberdades artísticas que deixaram a coisa ainda mais estranha. Por exemplo, a Catherine do filme é praticamente um réptil, sem emoções, sendo que no livro ela é muito mais humana e interessante. E no filme também foi eliminado aquele que é o ponto-chave da história: a meta de Vaughan em realizar sua maior fantasia sexual, que é a de envolver-se em um acidente com a atriz Elizabeth Taylor. Para compensar, Cronenberg criou cenas que não estão nas páginas da obra, como uma re-encenação bastante realista do acidente que vitimou James Dean para uma plateia.
Nesta panela entra, portanto, a questão de um futuro nada promissor para essa nossa geração aficionada por máquinas e por celebridades. Podemos dizer, então, que Crash é uma espécie de ficção científica psicológica, imaginando não o futuro dos desenvolvimentos tecnológicos, mas o caráter das perversões sexuais do amanhã, já que hoje a sociedade dá pistas de que isso pode realmente acontecer.
Pensem comigo: para muita gente, a masculinidade é medida pelo tamanho do carro que o cara possui. Todos os detalhes dos automóveis caros causam mais excitação em algumas pessoas do que um corpo saudável. As feiras de automóveis colocam sempre uma linda jovem com roupas sensuais ao lado dos veículos mais potentes, como se uma coisa estivesse totalmente ligada à outra. E estamos falando de um livro publicado em 1973, quando ainda era mais inocente esta fascinação pelos carros e pelas celebridades. Hoje em dia a produção automobilística é muito maior, e muito mais pessoas têm os carros a seu alcance, o que não deixa de ser assustador, depois da leitura deste livro. Salvo as diferenças entre os romances, Vaughan é um psicopata que lembra muito o Hannibal Lecter: inteligente, culto e com um gosto muito particular. Mas enquanto o terapeuta de O Silêncio dos Inocentes se deliciava ao saborear carne humana, o cientista de Crash é tarado por mulheres (ou homens, já que é bissexual) sendo penetrados pelo eixo da direção de um carro, durante um acidente. E eu não gostaria de encontrar um cara como ele pelo meu caminho.
Há um longo trecho, por exemplo, que de tão grotesco chega a ser atraente, quando o narrador descreve os atributos de determinada personagem que mais lhe causam excitação. Claro que não estamos falando de seios avantajados, ou de um belo par de pernas: o que o fascina são as próteses, as cicatrizes e o andar todo entrevado da moça, depois de sofrer repetidas colisões automobilísticas. Praticamente todas as cenas de sexo do livro acontecem dentro de carros, e elas são descritas com detalhes ultra-realistas, como a presença do muco anal e do cheiro de esperma seco que fica infestando o interior do automóvel.
Crash é uma literatura típica underground, no estilo dos livros de Chuck Palanhiuk (Clube da Luta), e não é recomendado para quem gosta de acompanhar uma história linear e fácil. Já nas primeiras páginas Ballard entrega que Vaugahn morre em um acidente com Elizabeth Taylor, sem conseguir alcançar seu maior objetivo, que era causar a morte da atriz. Mas para não te deixar desmotivado a ler a obra, aviso que o final é diferente do apresentado por Cronenberg — e apesar disso, conhecendo-o fica mais fácil compreender a intrigante conclusão daquele filme.
L.F. Riesemberg


