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quinta-feira, 11 de junho de 2009

O SUPERSTICIOSO, de R.L.Stine

Você provavelmente já deve ter ouvido falar desse escritor, ou ao menos deve ter visto uma de suas obras nas prateleiras das livrarias, principalmente na estante de Infanto-Juvenis. R.L.Stine é autor da famosa série de livros de "terror para crianças" chamada Goseebumps, já publicada no Brasil pela Editora Abril, e atualmente publicada pela Editora Fundamento. Esses livros foram inclusive adaptados para um seriado de televisão, que até onde eu sei, ainda passa no canal Jetix (antigo Fox Kids). Depois disso, o escritor ainda escreveu as séries Rua do Medo e A Hora do Arrepio, publicados pela editora Rocco, mantendo o mesmo espírito da série anterior.

Li alguns Goseebumps, aqueles que foram publicados pela Abril há alguns anos atrás, e confesso que gostei! Não achei assustadores, afinal, são escritos para um público alvo bem mais novo; no entanto, eu ficava surpreso com os desfechos das histórias, que muitas vezes fugiam do convencional "final feliz" (um dos livros, que se chamava A Máscara Monstruosa, teve um final que me fez pensar "não acredito que um livro infantil terminou de forma tão sinistra!!!"). É claro que o fato da minha irmã ter comprado os livros, e eles serem curtíssimos, me animava a lê-los, sempre no espírito "puxa, eu teria adorado ler isso quando era criança". Enfim, depois de muito me explicar (sei lá se convenci alguém, rs), posso dizer o seguinte: as coisas que o cara escreve não fazem minha cabeça, mas eu o respeito. Ele encontrou seu nicho, e soube como aproveitar.

Por isso, foi uma surpresa quando encontrei, há alguns anos, um livro de temática adulta com o nome R.L.Stine na capa. A obra se chamava O Supersticioso, e, embora tenha ficado reticente de início, a curiosidade acabou vencendo, e comprei o livro.

Pois é, maldita curiosidade.

Para quem conhece a escrita do sujeito, é impossível não pensar que a idéia do cara para escrever O Supersticioso surgiu assim: lá estava ele, pensando na história do próximo Rua do Medo (ou Hora do Arrepio, não sei qual ele escreve atualmente), e de repente teve uma idéia que parecia fantástica; porém, havia um problema bem problemático e problematoso: para a história funcionar, seria preciso abordar personagens adultos, enquanto suas séries infanto-juvenis sempre abordaram crianças ou adolescentes. Além disso, precisaria haver sexo; não sexo gratuito ou pelo simples fato de escrever cenas picantes, mas sim para a própria história funcionar. Eis que o escritor resolveu "ok, essa é minha chance de escrever um livro adulto". E como diria a bruxa do desenho do Pica-Pau, quando tentava fazer sua vassoura funcionar: "e lá vamos nós... Lá vamos nós...".

A trama aborda o retorno da protagonista Sara Morgan ao campus da universidade onde se formou, que fica numa cidadezinha tranquila da Pensilvânia (e não Transilvânia!). Aparentemente, abandonou seu excelente emprego em Nova York para prestar uma pós-graduação, no entanto, a vontade de fugir do namorado rico e potencialmente psicótico parece ter contribuido para essa decisão estapafúrdia. Então, em meio às estranhas mortes de estudantes que estão ocorrendo no lugar, ela se apaixona pelo professor de folclore Liam O'Connor, que possui uma excêntrica obsessão por superstições. Vários outros personagens vão surgindo no decorrer da história, que vai dando pistas (muitas vezes falsas) sobre a identidade do assassino que está assombrando a faculdade.

O Supersticioso é um livro adulto escrito por um autor infanto-juvenil que parece ser exatamente isso: um livro adulto escrito por um autor infanto-juveni. Conheço muitos autores que transitam calmamente entre os dois públicos, escrevendo obras competentes em ambas as categorias, contudo, não parece ser o caso de R.L.Stine.

A história, que caberia melhor num livro curto ou até mesmo em um conto, se estende por 391 páginas torturantes. É claro que há coisas que se aproveitam. O autor escreve bem, e não tem trama ridícula que tire esse mérito dele. A trama até começa de forma instigante, mas após uma rápida corrida de 100 metros rápidos, começa a se arrastar, mostrando personagens desinteressantes, cenas de sexo desajeitadas e explicações estapafúrdias que só fariam sentindo em um livro da série Goseebumps mesmo. Não quero entregar nada (afinal, sempre estimulo as pessoas a não deixarem de ler alguma coisa só por causa de críticas negativas), mas a explicação para as mortes é tão absurda, tão incoerente, tão... boba, que é quase um insulto. Além disso, há uma sub-trama envolvendo os policiais do lugar, que é terrívelmente chata e inútil; os incompetentes ficam mais perdidos do que cego em labirinto, e ao invés de acrescentar algo à história, ficam apenas se lamentando por não fazerem idéia do que está acontecendo (e no começo de cada sub-capítulo envolvendo essa trupe, eu já pensava "que saco, não acredito que vou ter que ler sobre esses estúpidos de novo). E para fechar com chave de latão, o livro termina com um final "surpresa" que o leitor já adivinhou há várias páginas atrás.

Em resumo, caso você sinta a mesma curiosidade que eu senti, de saber como o autor se saiu em um livro para adultos, olhe para o vulto do gato preto na (bela) capa e lembre do velho ditado que envolve felinos e curiosidade. Ou então, compre algum exemplar de uma das séries infanto-juvenis do escritor. Vai ser mais barato, você vai ler mais rápido, e ainda poderá entregar o livro para seu filho ou sobrinho se divertir.

Abraços!