
Pois muito bem... Whitley Strieber escreveu seu maravilhoso Fome de Viver (ver post anterior) em 1981; o livro fez sucesso, virou filme, etc e tal. Era uma história perfeita e fechada, que simplesmente não deixava margem para qualquer continuação. Porém, no ano de 2001, eis que surge a continuação de Fome de Viver: a obra A Última Vampira (Ediouro, 2002).
Embora nada possa afirmar sobre a situação financeira do escritor lá pelos idos de 2000, imagino que ele devia estar passando por sérias dificuldades financeiras. Só isso explica a existência deste livro lamentável, cujo único objetivo parece ter sido faturar alguns trocados.
Comecemos pelo título (The last vampire, no original); enquanto no primeiro livro, a palavra "vampiro" não aparecia uma vez sequer, aqui a palavra já vem no nome da obra. Parece um detalhe bobo, e não tenho absolutamente nada contra o uso da palavra "vampiro" nos livros. Mas, se formos contextualizar a utilização da palavra neste livro, podemos verificar os seguinte: enquanto sua ausência em Fome de Viver ressaltava a elegância e a sutileza da história, em A Última Vampira, seu uso evidencia outro tipo de sutileza: a sutileza de um Tiranossauro Rex correndo por uma loja de porcelana.
Elegância é algo que você não irá encontrar nessa sequência: a história narra as ações de um grupo secreto de policiais que extermina vampiros (sim, isso mesmo) e são liderados por Paul Ward, um ex-agente da CIA. Tudo vai indo muito bem, até que ele se depara com a bela Miriam Blaylock; a partir daí, começa o velho jogo de gato e rato, com os dois se envolvendo, etc e tal. Sim, a palavra que melhor define tudo é "clichê". Embora Miriam seja uma mera sombra da criatura poderosa e apaixonante do livro anterior, ainda é inaceitável o seu interesse por um personagem totalmente desprovido de carisma como Paul.
Um detalhe bem chato para os fãs de Fome de Viver é que o autor simplesmente ignora alguns aspectos da história anterior; assim, uma personagem do primeiro livro é ressuscitada de maneira arbitrária, negando (e praticamente destruindo) o perfeito desfecho da obra de 1981.
O livro segue sem qualquer surpresa, inovação ou passagem digna de nota. É tão ruim, tão diferente do primeiro, que chego a pensar se Whitley Strieber não contratou um "escritor fantasma" para produzir o livro a toque de caixa. Bem, bem, acho que nunca saberemos. O que eu sei é o seguinte: A Última Vampira é uma história estilo "sessão da tarde", que talvez até sirva de diversão descompromissada para aqueles que não leram Fome de Viver. Porém, para aqueles que leram, isso é muito, MUITO pouco, e a decepção é inevitável. Ah, e enquanto o final de Fome de Viver era aterrador por seus próprios méritos de livro de horror, o desfecho de A Última Vampira é aterrador porque dá margem para uma continuação! Cruz Credo!
Minha dica? Compre Fome de Viver e passe longe de A Última Vampira, pois é uma daquelas continuações com efeito retroativo, que chegam a tirar o brilho da obra original (assim como a nova trilogia de Star Wars, as continuações de Jurassic Park, etc). Ah, e não esqueça de fazer um pedido para o próximo morcego que passar voando por sua janela, pedindo que Whitley Strieber tenha juntado grana suficiente para não ter que continuar pagando esses micos.
Abraços!





